Reforma tributária para agências de viagens: o que muda

Entenda como a reforma tributária afeta as agências de viagens, os prazos de transição, os créditos tributários e como se preparar.

Reforma tributária para agências de viagens: o que muda

Por que fazer uma reforma tributária?

A proposta da reforma tributária é tornar a cobrança de impostos mais simples e mais fácil de entender. Hoje, o sistema brasileiro é complexo, cheio de regras diferentes e burocracias que dificultam o dia a dia das empresas.

Para agências de viagens, que normalmente são empresas pequenas e cheias de responsabilidades e tarefas, isso não é um detalhe. Quanto mais confuso é o sistema, mais difícil fica emitir corretamente, organizar documentos,entender o que pagar e tomar decisões com confiança.

Com a reforma, a lógica muda. A ideia é reduzir essa bagunça e criar um modelo mais padronizado. Dois tributos principais estão no centro dessa mudança: a CBS, de competência federal, e o IBS, dividido entre estados e municípios.

Em outras palavras, o objetivo é trazer mais clareza para um sistema que hoje ainda consome tempo, energia e dinheiro das empresas.

Os três pilares da reforma tributária

1. IVA dual

Chamamos o modelo adotado de IVA dual porque ele divide a tributação sobre o consumo entre dois tributos principais. A CBS representa a parte federal. O IBS representa a parte dos estados e municípios.

2. Não cumulatividade

A reforma busca reduzir o efeito cascata, aquele cenário em que o imposto se acumula ao longo da cadeia. Em linhas gerais, tributos pagos nas etapas anteriores podem gerar créditos para abatimento nas etapas seguintes, o que torna a tributação mais neutra para a atividade econômica.

É como se a empresa pudesse aproveitar mais adiante parte do imposto que pagou ao longo do caminho, em vez de acumular imposto sobre imposto.

3. Local de tributação

O contador Erick Togashi, CEO da Contatur, explica algumas regras sobre o local de recolhimento do imposto:

Card com citação do contador Erick Togashi sobre o município onde o imposto é devido em serviços de agenciamento, hospedagem, transporte e eventos

Quando isso começa a valer?

A mudança não vai acontecer de uma vez, pois a implementação será gradual.

Em 2026, começa uma fase de testes. Em 2027, a CBS entra em vigor, e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, acontece a transição do ICMS e do ISS para o IBS.Em 2033, o novo modelo passa a valer por completo.

O que pode gerar abatimento de imposto?

Quando falamos em crédito tributário, estamos falando desse possível abatimento do imposto, desde que a despesa esteja dentro das regras.

Na rotina da agência, alguns gastos da operação podem entrar nessa lógica. É o caso, por exemplo, de software, tecnologia, aluguel e alguns serviços contratados para manter a empresa funcionando, como serviços contábeis e jurídicos.

Todas as compras das agências vão gerar automaticamente esse crédito? A resposta é não.

Folha de pagamento, que é um custo representativo nas empresas, não entra nessa linha de crédito.

Além disso, quando a agência contrata um fornecedor de marketing, um serviço de contabilidade ou outro prestador e paga sem nota fiscal, ela pode perder o direito de usar esse gasto como base para o aproveitamento de crédito.

E o Simples Nacional?

Esse é um ponto que exige análise individual.

Muita gente fala em “Simples híbrido” para se referir à possibilidade de continuar no Simples Nacional para alguns tributos e recolher IBS e CBS por fora, no regime regular. Em alguns casos, isso pode fazer sentido.

Pense em uma agência pequena que vende lazer, mas que também já tem uma carteira relevante de empresas. Dependendo do peso desse público corporativo no faturamento, permanecer exatamente no formato tradicional talvez deixe de ser a opção mais estratégica.

Também pode haver cenários em que lucro presumido ou lucro real façam mais sentido. Só que vale reforçar que essa escolha não deve ser feita apenas com base na pergunta “qual opção parece mais barata agora?”.

A análise precisa ser mais profunda. O ideal é perguntar qual regime combina melhor com o perfil dos clientes, com a operação da agência e com o posicionamento que ela quer manter no mercado.

E claro, esse estudo deve ser feito com o apoio de um bom escritório de contabilidade.

O que a agência deve fazer desde já?

O primeiro passo é organizar os dados da empresa.

Antes de decidir se continua no regime atual, se avalia outra opção ou se faz algum ajuste tributário, a agência precisa conhecer a própria operação. Sem isso, qualquer decisão vira achismo.

Ela precisa saber, por exemplo, quanto vende para pessoa física, quanto vende para empresas, quais são os principais custos da operação, quais fornecedores fazem parte da rotina e se a documentação das vendas e despesas está realmente organizada.

Também é importante revisar processos, fornecedores e sistema de gestão. A reforma aumenta a exigência de rastreabilidade, integração de dados e adaptação tecnológica.

Empresas que tiverem informações organizadas, histórico confiável e processos mais digitais tendem a se adaptar melhor.

Por que um sistema de gestão se torna ainda mais importante?

“A Reforma irá punir a ineficiência e irá premiar quem investe em tecnologia e informação.” – Erick Togashi.

Com a reforma, organização deixa de ser apenas uma vantagem e passa a ser uma necessidade prática.

O gestor vai precisar acessar com rapidez informações sobre vendas, recebimentos, pagamentos, documentos, histórico financeiro e dados fiscais para conseguir decidir melhor junto com a contabilidade.

Agora imagine tentar fazer essa análise com informações espalhadas entre planilhas, WhatsApp, e-mails e anotações soltas. Fica muito mais difícil enxergar a realidade da agência com clareza.

É justamente aí que um sistema de gestão como o Monde faz diferença. Quando os dados ficam centralizados, a agência ganha mais controle, reduz retrabalho e consegue sustentar decisões com base em informação real.

Em uma ferramenta pensada para agência de viagens, esse ganho é ainda mais visível. Vendas, recebimentos, pagamentos, anexos e histórico das operações ficam reunidos em um fluxo mais coerente com a rotina do setor.

Na prática, isso facilita muito quando chega a hora de levantar dados, revisar processos ou conversar com a contabilidade sobre os impactos da reforma.

Conclusão

A reforma tributária não exige apenas atenção com imposto. Ela pede uma gestão mais estratégica.

Para a agência de viagens, o ponto central não é só descobrir qual opção parece mais barata hoje. O mais importante é entender qual modelo faz sentido para o tipo de cliente atendido, para a estrutura da operação e para a competitividade do seu negócio nos próximos anos.

No fim, o caminho mais seguro passa por três movimentos. Entender melhor a própria operação, revisar fornecedores e processos, e fortalecer a organização dos dados com apoio de tecnologia.

Quem começar esse trabalho antes tende a sofrer menos quando a reforma começar a impactar a rotina de forma mais concreta.

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